11.8.16

Minha Mãe




Certos acontecimentos só são mensuráveis no seu próprio tempo. Nem antes, nem depois. Por exemplo, minha Mãe faz um doce chamado Freud. Leva Maizena, clara de ovos novos, banana caturra, calda de açúcar fino — e traz alegria e lembranças. Uma delícia. Amo essa mulher, tanto, que às vezes fico bêbado de Mãe. De tanto que a tomo nos braços em arco que me embriago dela por mim. 

E sempre me acordo no interior, mesmo quando viajo para fora. 

Mas há dias em que me acordo duplamente no interior — como hoje. Estou na casa onde nasci de novo, e sinto cheiro de café. Um galo, índio, de cristas excitadas, canta dentro de mim, bem pertinho, como se cantasse na minha infância. Ouvi tanto esse galo cantar que já lhe sei o co-co-ri de cor...
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Qual será dos meus irmãos aquele que não quer que eu fale mais com minha Mãe?

Será aquele que eu trouxe no colo, chuviscando, ao lado de um pai desesperado, numa charrete azul puxada por estrelas e ternuras?
(...)

Texto que escrevi em 2004.
💙
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QUAL SERÁ DOS MEUS IRMÃOS?









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